Hóquei em patins


Quando era mais novo, assistia na televisão e por vezes ao vivo a jogos de hóquei em patins. Tempos em que os ringues estavam a abarrotar e em que Livramento & Cª. passeavam a sua classe e colocavam ao rubro milhares de pessoas e em que para além da grande emoção, todos sentíamos grande orgulho de sermos portugueses. O hóquei em patins continua a ser a modalidade em que Portugal tem mais pergaminhos a nível internacional.
A partir de 1993 acompanho com entusiasmo redobrado esta modalidade, como dirigente, mas sobretudo porque os meus filhos a praticam, integrando equipas no Vilafranquense (UDV).

É uma modalidade com um elevado nível de espectacularidade. Neste sentido, no entanto, muito pode ainda ser feito pelas entidades oficiais para cativar sobretudo os jovens praticantes, mas também espectadores, para tornar o hóquei atraente, empolgante transformando-o numa verdadeira modalidade nacional, identificando-se cada português com ela.
Por vezes há excessos, sobretudo por parte da assistência, pais e familiares. As pessoas vão para os recintos desportivos, mais para descarregar as suas frustrações do dia a dia do que para apoiar e incentivar o desportivismo. Os comportamentos incorrectos são transmitidos aos atletas, afectando duma forma negativa, o modo de estar dos jovens no desporto. Essa atitude tem a ver com formação geral dos cidadãos e com as normas estabelecidas.
Por outro lado há que repensar a "campionisse" aguda que reina no desporto jovem, e da qual o hóquei também enferma. Esse espírito não é alheio às regras sociais e desportivas vigentes. Na verdade, as mesmas enaltecem e quase deificam o ganhar, transformando-se rapidamente em ganhar a todo o custo. Nem que isso signifique um especialização precoce dos jovens em determinados lugares, jogando outros pouco ou nada, servindo-se de alguns nos treinos apenas para treinar os “melhores”. Tudo isto afectando irremediavelmente o desenvolvimento harmonioso a médio prazo do desportista, o desenvolvimento de todas as capacidades naturais, habilidade e a criatividade dos jovens em particular e a sua formação em geral. Pior ainda afastando muitos jovens da modalidade, quando não mesmo da prática desportiva.
T
odos sabemos que em todas as áreas de actividade existe selectividade e que haverá sempre escolhas, que uns são melhores que outros e que o ganhar não deve ser esquecido. Mas o que acontece neste momento nas classes mais jovens, até aos juvenis de primeiro ano, é que existe um desnecessário e contraproducente exagero. É venerado quem ganha, ou só quem marca golos, raramente é enaltecido ou elogiado o espírito de equipa, a entreajuda, o companheirismo, o comportamento disciplinar e cordial.
Os treinadores são contratados (arranjados) quase exclusivamente para ganhar jogos ou atendendo ao seu baixo custo. Raramente é referido ou atendido o seu perfil formativo. Com as características adequadas creio que também não haverá muitos (Nos últimos anos alguns, poucos, licenciados em Educação Física seguiram, especializaram-se ou apresentaram teses sobre hóquei). Os dirigentes, as instituições oficiais e as regras preocupam-se ou direccionam a actuação dos treinadores? Isto é, preocupam-se (no sentido de alterar) se eles estão a utilizar uma táctica fechada, com especialização rígida de jogadores em determinados lugares, ou se dão oportunidades semelhantes em termos de tempo jogado a todos os jovens, ou ainda se apelam ao espírito desportivo em todas as circunstâncias, etc. Penso que raramente.
A responsabilidade pelo actual estado do hóquei jovem é um pouco de todos, federação, associações, clubes, treinadores e educadores. Mesmo respeitando a autonomia dos clubes, a auto responsabilização na actuação dos intervenientes referidos, muito pode ainda ser feito, quer em termos de sensibilização (inc. marketing), quer em termos normativos, para melhorar o hóquei em patins em Portugal. Ideias não faltam. Há que repensar permanentemente as regras, distribuição de subsídios, utilização de patrocínios, formação cívica, formação/reciclagem de treinadores. Nesta vertente, os programas deveriam contemplar uma forte componente comportamental e psicológica. O hóquei em patins tem grande probabilidade de crescer. Não esquecendo os grandes momentos e glórias do passado, mas modernizar-se e adaptar-se aos tempos actuais.





Poderá ver nestes próximos links (documentos em word) alguns artigos já publicados em jornais, principalmente no jornal "Vida Ribatejana".Todos eles foram realizados por mim:

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